17 de jun de 2014

O milho como Biocombustível – Pontos fortes e fracos

Quem pensa que o único (bom) uso que o milho tem é fritar na panela e virar pipoca está redondamente enganado quanto ao potencial desse grão que, agora, é usado como matéria prima para virar, literalmente, um dos motores da tecnologia: o biocombustível. Assim como qualquer outra fonte de energia, o milho também tem seus pontos fortes e fracos para o uso deste recurso que pode ser, a longo prazo, o substituto do petróleo, de matéria-prima fóssil e esgotável.
O primeiro ponto forte é a ótima produção do grão no mercado interno brasileiro, que atende à demanda da criação do biocombustível da mesma forma a que atende a alimentação animal e humana. Esse cereal tem enorme potencial para suprir necessidades e, por isso, é considerado o terceiro mais importante cereal do mundo. Fonte rica de nutrientes, é responsável também por figurar nas altas discussões sobre economia por fatores externos favoráveis, como a cotação do milho, que garantem lucro aos produtores regionais e emprego e renda quando o assunto é mão de obra nos campos de colheita.
Uma das principais importâncias a ser destacadas sobre o uso do milho para fins de biocombustível vem justamente do fato de que as fontes de energia para combustível que conhecemos nos dias de hoje estão ficando escassas e, por conta disso, encarecendo a olhos vistos – quem nunca levou um susto com o preço da gasolina que atire a primeira pedra. Com o crescimento das opções de veículos de transporte e passeio no estilo “total flex”, que aceitam como combustível álcool e gasolina, e com a abundância da produção de milho como insumo no país, o uso do cereal para essa finalidade pode ser a saída exata no barateamento dos insumos necessários para dar vazão, sempre, às inovações tecnológicas.
Especialistas afirmam que o Brasil poderá deixar de ser um exportador eventual do grão para virar exportador estrutural do insumo, como era o caso dos Estados Unidos, o que coloca toda a nação na busca pelo desenvolvimento. No entanto, nem tudo são flores. Para se fazer biocombustível é necessário o uso de insumos como milho, soja, canola, girassol e mamona, de onde se extrai o óleo, adiciona ao óleo diesel e voilá, está pronto o que chamamos de “agroenergia”, ou energia sustentável. Contudo os mesmos especialistas que torcem pelo desenvolvimento desse setor no país alertam também para um iminente perigo, caso a procura por esse tipo de combustível, sobretudo do milho, aumente acima de oferta. A cotaçãodomilho fará pressão no mercado internacional para que o preço do insumo suba – o que significa de depois de uma “crise petrolífera” o mundo pode se arriscar a enfrentar uma nova crise mundial: a crise domilho.

Enquanto o pior não vem, o milho é celebrado como ótima saída para a produção barata e segura do biocombustível, uma modalidade de energia que tem menos impacto ambiental e muito mais valor energético do que o álcool. Desde meados de 2008 se tornou obrigatória a mistura de biodiesel ao diesel comum, comercializado no país, no mínimo de 2%, parcela que subirá no ano que vem para 5%. Dessa forma torna-se mais que claro que o plantio do grão de milho para fins de uso tecnológico e desenvolvimento sustentável é mais uma – e talvez a melhor – alternativa para complementar a renda dos produtores e criadores do país, além de abastecer o mercado consumidor, que está carente de opções para melhorar o seu custo de vida e, de quebra, dar uma força para a sustentabilidade do planeta.

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